Quando lhe dei meu coração, me entreguei por inteiro. Por completo.
Agora me vejo deitada em uma bancada de sacrificio.
De peito aberto.
Inerte; sem movimentos, sem ação. Núa.
Tu estás atrás, apertando forte meu coração na mão esquerda.
Enquanto o sangue escorre entre teus dedos, seguras um punhal com a direita.
Cortando. Fatiando. Teu prazer é visível, e lindamente asqueroso.
Está sangrando. Por demais dilacerado. E dói.
Dói, mas ainda bate!
Bate, pois todas as palavras não foram apagadas. Bate, pois todo aquele sentimento e esperança ainda nao morreram.
E está sempre tentando.
Está sempre doendo. Sangrando cada vez mais.
E eu aqui, sem ação.
Gritando para dentro pois a voz não sai.
Não me escutas. Não me escutas e continua fatiando. Cortando; brincando com teu punhal, que de tão bom grado lhe foi dado.
Enquanto grito, ignoras e não percebe. Já estás envolta em meu sangue;
Choraste sobre meu peito e agora faz parte de mim.
Se fores embora, além de meu coração, leva minha alma.
E então morrerei.
Lembro-me de cobras e lagartos que saiam de tua boca. Eu estava na outra ponta.
Sutura tua ferida. Pois a minha está aberta demais. Nunca cicatrizará por completo.
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1 comentários:
as coisas mudam quanto tem que mudar.
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